É coisa de preto
Por Rodrigo Alves
O ano é 2017, mas essa frase é dos tempos sombrios da escravidão, ou se preferir, do Império.
É algo tão abominável nos dias de hoje que beira o inacreditável. Falo isso pois não vou ser hipócrita a ponto de me sentir surpreso com a frase do Sr. Willian Waack âncora do jornal da Globo, "é coisa de preto". Ouvi essa frase muitas vezes na minha vida de pessoas que a usavam para simplesmente marcar territórios, marcar uma suposta casta superior, nobre ou imperial. Uma superioridade financeira. Um ditado popular.
Muito se tem falado sobre as mudanças que a sociedade precisa passar pra evoluir. São coisas que não cabem mais nesse país, não cabe mais na sociedade brasileira e tem que ser punida de forma exemplar.
Hoje a cultura do tudo é "mimimi" tenta camuflar essa veia fascista, racista e arrogante que impera nesse país desde 1500, com a intenção de diminuir o problema social e a má distribuição de renda que depois do golpe de 2016 ficou mais escancarada e nos mostrou o quanto esse câncer que vem definhando o nosso país é silencioso e cruel. Pouco conseguimos evoluir e, o pouco que conseguimos, vem sendo retirado sem escrúpulos e sem moral.
Em qualquer emissora séria do planeta o Sr. Willian Waack já estaria no olho da rua. O detalhe é que ele trabalha na Globo, então, talvez, seguirá tudo como antes. Irá para a "geladeira" como no caso de assédio do outro funcionário da emissora. Mas não podemos nos calar pois o âncora da rede Globo é só mais um no meio de muitos. É um trabalho árduo a limpeza desse país pra tentar diminuir ou mesmo extirpar esse tipo de comportamento.
Sei que na atual conjuntura política e jurídica em que nos encontramos será uma utopia pedir qualquer tipo de punição mais severa, mas nem por isso vamos nos calar. Nem por isso podemos fingir que não estamos vendo. O supremo finge que não vê em nome de uma suposta liberdade de expressão, liberdade essa que Hitler aplaudiria de pé. Os políticos em nome da propina não verão. A mídia em nome do liberalismo e de suas "liberdades" ou libertinagem menos ainda. Mas nós, a sociedade, não podemos fingir sabe porquê? Porque o lombo que arde é o nosso.
"Eu tenho um sonho que meus quatro pequenos filhos um dia viverão em uma nação onde não serão julgados pela cor da pele, mas pelo conteúdo do seu caráter. Eu tenho um sonho hoje". - Martin Luther King
Fascistas não passarão.
Racistas não passarão.
Eu também sonho...



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