Agonia de Cristo (Algumas Citações deste Sermão)
Jonathan Edwards
“E, posto em agonia, orava mais intensamente; e
o Seu suor tornou-se em grandes gotas de sangue que corriam até ao chão” (Lucas
22:44)
(...) “Os clamores intensos
de Cristo em Sua agonia pode nos convencer de que não foi sem razão que Ele
insistiu sobre isso, em Lucas 13:24; de forma que devemos nos esforçar para
entrar pela porta estreita, que é, como já foi observado para você, no original
Agwnizesqe “Agonize por entrar pela porta estreita”. Se os pecadores estivessem
um caminho esperançoso para obter Sua salvação, eles devem agonizar naquela
grande preocupação como homens que estão tomando uma cidade por violência, como
em Mateus 11:12: “E, desde os dias de João o Batista até agora, se faz
violência ao reino dos céus, e pela força se apoderam dele”. Quando um corpo de
soldados resolutos está tentando tomar uma cidade forte em que eles se
encontram com grande oposição, que conflitos violentos ocorrem ali antes que a
cidade seja tomada! Como os soldados pressionam contra as próprias bocas dos
canhões dos inimigos, e sobre as pontas de Suas espadas! Quando os soldados
estão escalando os muros, e fazendo Sua primeira entrada na cidade, que luta
violenta ocorre entre eles e Seus inimigos que se esforçam para mantê-los fora!
Como eles, por assim dizer, agonizam com toda a Sua força! Assim nós devemos
buscar a nossa salvação, se quisermos estar em um semelhante caminho para
obtê-la. Quão grande é a loucura então daqueles que se contentam em buscar com
um espírito em forma fria e sem vida, e assim continuam de mês a mês, e de ano
em ano, e ainda assim se gabam de que eles serão bem sucedidos!”
“Cristo foi o sujeito de
uma grande provação no momento de Sua agonia; assim Deus está acostumado a
exercitar o Seu povo com grandes provações. Cristo encontrou-se com grande
oposição naquela obra que Ele devia cumprir, assim os crentes semelhantemente
encontraram grande oposição em correr a carreira que está posta diante deles.
Cristo, como homem, tinha uma natureza frágil, que era, em si, muito
insuficiente para sustentar um conflito, ou para suportar tal carga como a que
estava vindo sobre Ele. Assim, os santos têm a mesma natureza humana fraca e,
junto com isso, grandes fraquezas pecaminosas que Cristo não tinha, o que lhes
colocam sob grandes desvantagens, e aumentam consideravelmente a dificuldade de
Seu trabalho. Essas grandes tribulações e dificuldades que estavam diante de
Cristo, foram o caminho pelo qual Ele devia entrar no reino dos céus; para que
Seus seguidores pudessem esperar que “por muitas tribulações nos importa entrar
no reino de Deus” [Atos dos Apóstolos 14:22]. A cruz foi para Cristo o caminho
para a coroa de glória, e assim ela é para os Seus discípulos. As
circunstâncias de Cristo e de Seus seguidores nessas coisas são iguais, o Seu
caso, portanto, é o mesmo; e, portanto, o comportamento de Cristo em tais
circunstâncias foi um exemplo adequado para eles seguirem. Eles devem olhar
para o Seu Capitão, e observar de que maneira Ele passou por Sua grande obra, e
as grandes tribulações que Ele sofreu. Eles devem observar de que maneira Ele
entrou no reino dos céus, e obteve a coroa de glória, e assim eles também devem
participar da corrida que se coloca diante deles. “Portanto nós também, pois
que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o
embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a
carreira que nos está proposta” [Hebreus 12:1].”
“Quando os outros estão
dormindo eles devem estar acordados, como foi com Cristo. O tempo de agonia de
Cristo foi de noite, o tempo em que as pessoas tinham o costume de estar
dormindo; foi o tempo em que os discípulos que estavam perto de Cristo estava
dormindo; mas Cristo, nessa ocasião, tinha outra coisa a fazer ao invés de
dormir; Ele tinha um grande trabalho a fazer; Ele manteve-se acordado, com o
coração envolvido neste trabalho. Assim deve ser com os crentes em Cristo;
quando as almas de Seus vizinhos estão dormindo em Seus pecados, e sob o poder
de uma insensibilidade e preguiça letárgicas, eles devem vigiar e orar, e
manter vivo o senso da importância infinita de Suas preocupações espirituais. 1
Tessalonicenses 5:6: ‘Não durmamos, pois, como os demais, mas vigiemos, e
sejamos sóbrios’.”
“O momento em que os outros
estavam dormindo era um momento em que Cristo estava perto de Sua grande obra,
e estava comprometido nisso com todas as Suas forças, agonizante nisso;
conflitante e lutando em lágrimas e em sangue. Assim, os Cristãos devem, com o
máximo de seriedade, remir o Seu tempo, com as almas comprometidas neste
trabalho, passando por meio da oposição que eles encontram nisso, passando por
todas as dificuldades e sofrimentos que existem no caminho, correndo com
paciência a carreira posta diante deles, lutando contra os inimigos de Sua alma
com todas as Suas forças; como aqueles que não lutam contra a carne e o sangue,
mas contra os principados e potestades, e os príncipes das trevas deste mundo,
e hostes espirituais da maldade nas regiões celestiais.”
“Este labor e luta devem
ser, para que Deus seja glorificado, e Sua própria felicidade eterna obtida em
um caminho de fazer a vontade de Deus. Assim foi com Cristo; pelo que Ele tão
intensamente se esforçou foi, que Ele pudesse fazer a vontade de Deus, para que
Ele mantivesse o Seu mandamento, Seu difícil mandamento, sem falhar nele, e que
desta forma, a vontade de Deus fosse feita, para glória de Seu Eterno Grande
Nome, e para a Salvação de Seus eleitos, que Ele intencionou por meio de Seus
sofrimentos.” (...)
*Trecho
do livro O livro “Agonia de Cristo” de Jonathan Edwards.



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