Suicídio

Por Rodrigo Alves 


Muitas vezes em minha vida me vi pensando sobre suicídio, o fato em si, a perspectiva e até mesmo o que ficaria pra trás. Sempre tive dentro de mim um desconforto com o mundo, com as relações sociais e seus comportamentos. Sempre me senti deslocado, fora do meu habitat e sempre que recebia a notícia de um suicídio isso muito me angustiava, me entristecia.

O suicídio muitas vezes é a única esperança. Pode parecer loucura mas nem todo mundo que tira sua própria vida, creio eu, deseja apenas ter um fim. Acredito que muitos querem na verdade é ter paz consigo mesmo, ter esperança de encontrar um lugar que lhe caiba. Penso eu ainda, que o maior mal do mundo seja o ser humano. O ser humano é como um vírus, ou uma bactéria que tem como objetivo deformar um sistema que funciona bem. Pode parecer estranho mas isso é meio louco, parece que o mundo não foi feito pra humanos. Por isso o ser humano é o único animal que tira sua própria vida.

Fico pensando como os meus pensamentos me atormentam. Tenho lembranças de ainda criança preso em pensamentos que até hoje não entendo.  Comecei falando do suicídio porque acho que o suicídio é o cansaço desses pensamentos, pra muitos é um limite, um fim. Talvez esses pensamentos sejam o que muitos chamam de mal do século, a depressão. Creio que nem todo mundo que comete suicídio está com depressão, acho que em muitos casos é só cansaço mesmo. Cansaço de estar em um mundo gigantesco mas que não te cabe.

 Vivemos em um momento que o ser humano sente prazer em mostrar o pior de si. Tem muitas pessoas lá fora precisando de ajuda e ninguém vê. Não vê porque o ser humano é só; é individual; é egoísta. Tratamos a depressão como frescura. Tratamos o cansaço como preguiça e tratamos o dinheiro como fim pra tudo. É incrível como o ser humano é tosco. A bíblia diz que "esse mundo jaz do maligno", não tenho dúvidas. 

Cada dia mais a sociedade se torna um amontoado de "eus" que buscam de forma individual conquistar algo que não é palpável. É meio como se a fé fosse derrotada aos poucos e assim o pior de cada um toma forma e atrelado a um mundo individualista criamos então o que somos.

O suicídio acaba com essa luta, acaba com essa angústia de ver, ou melhor, de não ver uma solução. Deus parece brincar com o cotidiano, com os meios. A grande verdade é que, ou você tem uma fé inabalável, ou você tem uma vida vazia ou você dá um basta em tudo.

Me lembro quando da morte de kurt Cobain, vocalista do Nirvana. Até bem pouco tempo ainda estava chateado por pensar que ele era um covarde. Sempre que ouvia Nirvana me lembrava apenas daquele tiro. O suicídio de kurt Cobain na minha adolescência me fez mal por não entender o que pode acontecer com uma pessoa que não se encontra, uma pessoa que vive presa em sua angústia. Durante muitos anos ao falar da banda Nirvana a única coisa que me vinha a mente era o suicídio de Kurt e isso me afastava da banda por acha-lo um babaca que tirou a própria vida no auge da sua fama, do seu sucesso.

Depois veio Chris Cornell e também cometeu suicídio, Chester Bennington e muitos outros famosos ou não. Acredito que a fama possa ser um agravante pois são vistos como ídolos de um mundo que eles entendem não ser deles, e isso eu só entendi com o tempo e amadurecimento de perceber que não somos iguais, e que sucesso é só uma convenção social. 

Parece estranho um cristão falar de suicídio da forma que estou falando. Bem, isso é uma realidade que assola todas as famílias independente de religião. Este texto é uma espécie de "orai e vigiai". Passamos por um momento em que nossas individualidades tendem a se sobrepor ao todo. Não enxergamos mais seres humanos, a única coisa que vemos são oportunidades. As religiões estão cada vez mais submissas as vontades do homem. A sociedade cada vez mais submissa a vontade de poucos. As famílias cada vez mais afastadas, pais não se falam, irmãos não se olham. Então acontece o suicídio, e então ouvimos a velha frase de que "Ele parecia tão Bem, tão feliz". O último vídeo do Chester Bennington era ele brincando com seus filhos na sala de estar e algumas horas depois ele já não existia mais. Não podemos mais negligênciar nossa condição racional de ser humano.

É impressionante como a vida vai escapando dos nossos dedos e nós só conseguimos pensar em ser melhor que o vizinho, em ser melhor que um parente. A verdade é que tem um monte de gente lá fora que nunca vai se adaptar a esse mundo. Podem cantar, podem fazer rir, podem fazer chorar, mas não se enganem, esse mundo do maligno não é pra todos, pois, nem todos, têm saco pra esperar pelo próximo de braços cruzados. O suicida não é um covarde, covarde são os que ficam e não enxergam que a vida é pra ser vivida, pois, sobreviver, não é viver. Você conhece alguém que precisa de você, então faça sua parte, não espere pelo pior, não espere pelo suicídio.

Muitos podem estar se perguntando se eu estou pensando em cometer suicidio?!

Não, não hoje...

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