O pequeno Aylan Kurdi
Por Rodrigo Alves
Então disse Jesus: "Deixem vir a mim as crianças e não
as impeçam; pois o Reino dos céus pertence aos que são semelhantes a elas". Mateus 19:14.
O pequeno Aylan Kurdi marcou hoje o drama de milhares de
refugiados do Oriente Médio e norte da África. Não! O pequeno Aylan
marcou o drama de toda humanidade. A imagem de uma criança morta na praia nos
revela com a força de um murro na face o quanto temos que evoluir.
Nada no mundo de hoje parece ser mais valioso do que o nosso “eu”,
nossas convicções. Comportamo-nos como se a moral e os valores que realmente
importam são aqueles que corroboram para sermos o que somos, da forma que
somos, egoístas.
Esse nojo, essa indignação que sentimos dos seres humanos
quando nos deparamos com a imagem de uma criança morta na praia, não durará por
muito tempo. Ao amanhecer, lembraremos que temos que trabalhar e, estudar e, se
divertir e, viver... Porque a vida continua e aquela criança na praia, ora, eu
nem a conhecia. Essa imagem com o tempo vai perder o efeito de nos indignar.
Essa imagem vai perder o efeito de causar em nós um sentimento de piedade
porque veremos nos trajetos que percorremos todos os dias “Aylan’s” espalhados
pela cidade e não fazemos nada. Com o tempo nos convencemos que na verdade nós
somos esses seres humanos. Que nós somos essas pessoas que ainda preferem um
muro para se isolar do mundo, ou daquilo que é diferente, do que uma ponte que
uni pessoas.
Não sei se a vida é curta ou longa demais
pra nós, mas sei que nada do que vivemos tem sentido se não tocamos o coração
das pessoas. Muitas vezes basta ser: Braço que envolve, Palavra que conforta,
Silêncio que respeita, Alegria que contagia. E isso não é coisa de outro mundo,
é o que dá sentido à vida. É o que faz com que ela não seja nem curta, nem
longa demais, mas que seja intensa, verdadeira, pura... Enquanto durar. (Cora
Coralina)
O que essa criança e seus pais buscavam é o mesmo que
qualquer criança ou qualquer pai do mundo busca. Um lar. E muitas vezes o fato
de termos um teto não nos dá essa realidade. Muitas vezes uma casa não nos dá
essa certeza.
Dizem que o melhor de uma viagem é a volta pra casa, mas e se
não temos casa? E se o que buscamos é exatamente isso?
Essa criança não morreu por não ter casa, não morreu por não
ter um lar. Não morreu por tentar se refugiar da guerra e da intolerância. Também por isso, mas não só por isso. Morreu por ter um sonho. Sonho esse, que muitos chamam de
felicidade, ou simplesmente a sua busca...
Descobri que não há nada melhor para o homem do que ser feliz e praticar o bem enquanto vive. Eclesiastes 3:12.



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