Racismo na Libertadores

Por Rodrigo Alves


Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus.
Gálatas 3:28


Taça Libertadores da América, pra mim, o nome mais imponente para um torneio de futebol em todo o mundo. Traz no seu nome não só o futebol mas, também, toda uma região, um povo, colonias, ditaduras, pobreza, segregação, desrespeito, mortes e muito mais. “Libertadores é guerra”, muitos dizem isso pra identificar que Libertadores é coração, é garra, é espirito de luta. Tudo isso atrelado a uma história de luta por espaço, por uma voz ativa, por independência. Essa é a libertadores, mais que um torneio, um símbolo da luta política e social sul-americana, a cara do futebol na América do Sul.

O nome do torneio é uma homenagem aos principais lideres da independência das nações da América do Sul: José Artigas ( foi um politico e militar uruguaio, sendo o herói nacional de seu país), Simón Bolívar (foi um militar e líder politico venezuelano. Junto a José de San Martín, foi uma das peças chave nas guerras de independência da América espanhola do Império espanhol), José de San Martín (foi um general sul-americano cujas campanhas foram decisivas para as declarações de independência da Argentina, Chile e do Peru), José Bonifácio de Andrade e Silva (foi um naturalista, estadista e poeta brasileiro. É conhecido pelo epíteto de "Patriarca da Independência" por ter sido uma pessoa decisiva para a Independência do Brasil), D. Pedro I do Brasil (foi o Fundador e primeiro monarca do Império do Brasil. Como rei D. Pedro IV, reinou brevemente em Portugal, onde também ficou conhecido como o Libertador e também como o Rei Soldado), Antônio José de Sucre (foi um militar e estadista venezuelano, e herói da Independência latino-americana) e Bernardo O'Higgins (foi um militar e estadista chileno, considerado o pai da pátria. Foi uma das figuras militares fundamentais da independência e o primeiro chefe de estado do Chile independente).

Ora, o Senhor é o Espírito; e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade.
2 Coríntios 3:17

As cenas lamentáveis ocorridas na cidade de Huancayo no Peru em razão do jogo entre Real Garcilaso e Cruzeiro, promovidas pela torcida do time da casa, me fizeram estarrecer ao ver que o povo sul-americano ainda não está liberto das amarras da segregação e do preconceito enraizados no nosso DNA pelas colonizações mal sucedidas e pelo sofrimento histórico de nosso povo. O preconceito racial é deplorável em qualquer circunstâncias, mas na Libertadores, parece doer mais, não por ter acontecido com o jogador Tinga que defende as cores do meu clube, Cruzeiro, mas por ter acontecido na América do Sul, na Libertadores.

O presidente de um clube rival do Cruzeiro postou em uma rede social: “Racismo na Libertadores? Lamentável”. A dor maior talvez seja o torneio símbolo de um povo sendo sujo pelo racismo. Os sons de macacos ecoavam na mente dos jogadores, dos torcedores e, cortavam a nossa carne como navalha. Os jogadores em campo, nitidamente se desconcentraram, a torcida do Cruzeiro revoltada com o ocorrido, sentiu na pele a dor de nosso jogador maltratado pela “culpa” de ser negro. Os jornais de todo o mundo condenaram o ocorrido. Chefes de estado, jogadores de futebol, dirigentes esportivos, anônimos, todos assustados com o ocorrido, mas principalmente com a nitidez, ou mesmo, com a voracidade dos sons ecoando em nossos ouvidos. Isso não pode estar acontecendo aqui, na Libertadores, na América do Sul, aqui é lugar de luta muitos devem ter pensado.

Mas este lamentável ocorrido deve nos servir de alerta para enxergarmos que a luta travada pelos “Libertadores” ainda não acabou. O Brasil, maior potencia sul-americana, é um país pra poucos. A Argentina, quebrada financeiramente. A Venezuela, ainda luta pelo comunismo levantando a bandeira Bolivariana levando ao caos sua pseudo democracia, sua falsa liberdade. Outros vizinhos como o próprio Peru, palco dos acontecimento racistas na Libertadores vivem em uma crise social histórica. Posso garantir que o jogador Tinga será o símbolo maior da Libertadores cruzeirense, será o negro celeste a correr pelo Mineirão mostrando que podemos ser diferentes, podemos ser melhores.

“— Fico muito chateado. Joguei quatro anos na Alemanha e nunca passei por isso. Agora acontece em um país parecido com o nosso, cheio de mistura. Trocaria todos os meus títulos pela igualdade entre raças e classes e respeito”— lamentou Tinga, em entrevista à Rádio Globo.

Mas, mais que um simbolo de uma torcida, Tinga deve ser um simbolo sul-americano. Simbolo este que nos mostra que a luta não acabou e que a nossa liberdade é ainda frágil e demagoga. O caso Tinga deve ser o início de uma nova luta, seja por liberdade, por melhores condições sociais, por distribuições de rendas mais justas, por educação. Não podemos deixar esse ocorrido apenas no campo futebolístico, devemos fazer deste limão uma limonada. A América do Sul ainda não está liberta. Que nós, enquanto sul-americanos possamos nos tornar também um libertador que não se cala, que não se vende e que acima de tudo, luta por um bem maior, o bem da vida, justa e digna.

A torcida do Cruzeiro canta nas cadeiras do Mineirão: Vamos Cruzeiro querido de tradição, libertadores, ser campeão! Que o Cruzeiro possa ser campeão da taça, mas que toda a sul América possa ser campeã da liberdade verdadeira ou seja, a liberdade que uni, não a que separa. Libertadores não é guerra, Libertadores é o símbolo de um povo, de uma luta por liberdade, independência e, principalmente, por dignidade.

Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé.
2 Timóteo 4:7


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